Armas com fósforo branco, quando não matam, causam lesões graves e sofrimento perpétuo em vítimas; entidades descrevem caos e apontam crimes de guerra cometidos por Israel
O ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciado em 28 de fevereiro passado e que colocou em xeque toda a região do Oriente Médio, está tendo um efeito especialmente devastador no Líbano, onde foram retomados os combates entre o Hezbollah e o Exército israelense.
Desde 2 de março, e segundo os dados de que dispõe o Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), mais de 300 mil pessoas foram forçadas a se deslocar, embora outras fontes, como o UNICEF, indiquem que o número de deslocados internos já chega a 700 mil. Segundo as autoridades libanesas, quase 400 pessoas foram mortas e cerca de 800 ficaram feridas em consequência dos bombardeios israelenses. Entre os mortos há 83 menores — ou, em outras palavras: Israel matou 10 crianças libanesas por dia desde 2 de março. “Nossas equipes estão respondendo, mas as necessidades são enormes. Dezenas de milhares de pessoas precisam urgentemente de proteção, água, artigos de primeira necessidade e acesso a atendimento médico”, informou a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).
Dificuldades para acessar água potável, alimentos e itens básicos
A escalada das hostilidades — que havia diminuído após 15 meses de trégua entre o Hezbollah e as Forças de Defesa de Israel (FDI) — está afetando especialmente o sul do Líbano, regiões do vale do Bekaa e alguns bairros do sul de Beirute. Nessas áreas, a população enfrenta dificuldades para acessar água potável, alimentos e artigos de primeira necessidade.
Human Rights Watch: Israel usa fósforo branco no Líbano
Recentemente, veio a público também um novo relatório da Human Rights Watch (HRW), no qual a organização afirma que o Exército israelense teria disparado “ilegalmente munições de fósforo branco na cidade de Yohmor”, no sul do Líbano.
A organização divulgou essa informação após geolocalizar e verificar uma série de imagens — sete, especificamente — que mostram munições de fósforo branco no ar sendo lançadas sobre uma área residencial da cidade em 3 de março, um dia após o reinício dos combates no país.
“O uso ilegal de fósforo branco por parte do exército israelense em zonas residenciais é extremamente alarmante e terá graves consequências para a população civil”, advertiu Ramzi Kaiss, pesquisador da Human Rights Watch para o Líbano. “Os efeitos incendiários do fósforo branco podem causar morte ou lesões cruéis que resultam em sofrimento para toda a vida.” Como destaca a organização, o fósforo branco é uma substância química presente em projéteis de artilharia, bombas e foguetes que se inflama ao entrar em contato com o oxigênio, e seu uso não é permitido em áreas residenciais.
Human Rights Watch: Governo libanês precisa investigar crimes de Israel
Não é a primeira vez que o Exército israelense usa fósforo branco no Líbano. Entre outubro de 2023 — após o início da campanha genocida em Gaza — e maio de 2024, as FDI o utilizaram em aldeias fronteiriças no sul do país, como também foi documentado pela HRW. A organização também adverte que as ordens de deslocamento emitidas pelas FDI no Líbano podem constituir crimes de guerra de deslocamento forçado, já que não teriam como objetivo “proteger a população, mas sim semear o terror e o pânico”. Em seu comunicado, a Human Rights Watch também instou o governo libanês a iniciar uma investigação sobre os possíveis crimes internacionais que o regime de Netanyahu possa estar cometendo no país.
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

