Pois é, vamos continuar falando da ditadura do Trump. Trump não age como presidente de uma democracia, mas como um ditador. E mais: como um assassino que naturaliza a morte como instrumento de política.
Veja você: aviões militares disfarçados de civis sendo usados para atacar barcos no Caribe. Barcos civis. Barcos de pesca. Ataques a tiros contra pessoas indefesas. Sobreviventes que, mesmo já rendidos, são executados. Isso é crime de guerra.
Disfarçar aviões militares como civis é crime de guerra segundo o direito internacional humanitário. Atacar barcos civis também é crime de guerra. Matar pessoas já rendidas, fora de qualquer confronto, é outro crime de guerra. Esses atos violam frontalmente as Convenções de Genebra, que regem a condução de conflitos armados e a proteção de civis e combatentes. Estamos falando, portanto, de crimes múltiplos, reiterados, praticados com plena consciência e em desprezo aberto às normas internacionais que regulam as relações entre Estados.
Trump e seus generais dizem que se trata de combate ao narcotráfico. Mas a pergunta é simples e incontornável: com o aparato bélico que os Estados Unidos possuem, por que não apreendem os barcos? Por que não mostram a suposta droga? Por que não produzem provas?
Eles não fazem isso. Preferem afundar os barcos. Preferem eliminar as provas junto às pessoas. No último ataque, em 2 de janeiro, foram 11 mortos. Três deles já estavam rendidos, fazendo sinais claros para os ianques. Mesmo assim, foram assassinados. Um duplo crime de guerra.
Essas ações já resultaram em mais de 100 mortos em ataques contra barcos civis no Caribe. Isso não é política de segurança. É instinto assassino elevado à condição de método de Estado, em violação direta ao direito internacional e aos princípios mínimos de legalidade no uso da força.
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No Irã, o cenário é igualmente grave. Soma-se a isso um dado fundamental: essa guerra difusa, travada por Trump em diferentes frentes, não conta com autorização formal do Congresso dos Estados Unidos. Ao agir militarmente sem respaldo do Poder Legislativo, Trump rompe com o próprio ordenamento constitucional estadunidense, concentra poderes e governa pela força.
Trata-se, portanto, de uma ruptura consciente com o Estado de Direito, tanto no plano internacional quanto no interno. Quando um presidente decide quem vive e quem morre, afunda barcos civis, executa rendidos e ignora o Parlamento, já não governa: impõe-se. Governa pelo medo, pela violência e pelo sangue.
Trump, ao travar guerras ilegais e desprezar deliberadamente o direito internacional, atua como um ditador de fato. Ditador e assassino, segue o caminho daqueles que transformaram a barbárie em política e a guerra em projeto de poder.
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

