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Trump ditador: a face autoritária do império em declínio

Ao governar à margem das leis, acionar forças militares sem autorização do Congresso e tratar a América Latina como quintal, Donald Trump expõe a falência democrática dos Estados Unidos

Há cada vez menos espaço para dúvidas: Donald Trump governa como um ditador. Despreza as leis internas, ignora o direito internacional e aciona forças militares sem qualquer autorização do Congresso. Se a democracia estadunidense estivesse minimamente em funcionamento, esse comportamento reiterado já teria levado a um processo de impeachment. Não se trata de retórica exagerada, mas de fatos concretos.

Trump se arroga o direito de decidir sobre outros países como se fossem extensões de seu poder pessoal. Afirma que “governa” a Venezuela, ameaça abertamente Cuba e declara que não deseja ver China ou Rússia atuando em território venezuelano. Mais grave ainda: faz essas declarações em reuniões com executivos da indústria petroleira, deixando explícito que sua política externa está diretamente subordinada aos interesses do capital energético. Não é diplomacia — é coerção imperial.

Como corolário desse avanço autoritário, revive-se a Doutrina Monroe, agora atualizada pela lógica do Big Stick: “Fale suavemente, mas leve um grande porrete”. No caso de Trump, nem mesmo o eufemismo se sustenta. O “porrete” se traduz na mobilização ostensiva de forças navais e aéreas, na intimidação direta e na chantagem econômica. O império abandona qualquer disfarce liberal e assume sua face bruta.

É nesse contexto que, no dia 17, em Assunção, será firmado o acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Ainda dependente da aprovação do Parlamento Europeu, trata-se do maior acordo comercial da história, envolvendo cerca de 720 milhões de pessoas, um PIB estimado em 22 trilhões de dólares e a perspectiva de zerar as tarifas do setor industrial em até dez anos. O acordo se insere num cenário de reorganização geopolítica que ocorre sob a pressão direta da ofensiva imperial dos Estados Unidos.

Trump deixou isso claro ao advertir China e Rússia de que não as quer na Venezuela e ao exigir que Caracas rompa relações com China, Rússia, Irã e Cuba. Trata-se de uma tentativa explícita de recolonização, agora sem mediações, sem pudor e sem respeito às regras mínimas da convivência internacional.

O que está em jogo não é apenas a Venezuela, Cuba ou a América Latina. É a própria ideia de democracia, corroída no centro do sistema que sempre se apresentou como seu guardião. Trump não é um desvio. É a expressão nua e crua de um império em declínio, que já não consegue governar pelo consenso e recorre, cada vez mais, à força.

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No Brasil, não há com o que se preocupar. Petróleo? Já está controlado pelas empresas. Minérios? Já estão controlados pelas empresas. Política econômica? Vigora o pensamento único imposto pelo capital financeiro.

O enfrentamento desse avanço autoritário não virá das instituições capturadas nem das elites comprometidas com a submissão. Ele só pode nascer da mobilização popular. Cabe ao povo ocupar as ruas, organizar-se e exigir um projeto nacional que recoloque no centro a soberania, o controle dos recursos estratégicos, a independência política e o direito de decidir seu próprio destino. Sem pressão popular, não há democracia possível nem país verdadeiramente livre.

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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