No comunicado, divulgado no último domingo (30), Nicolás Maduro adverte que a ofensiva dos EUA no Caribe “coloca em grave perigo a estabilidade e a segurança energética” global
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou neste domingo (30) uma carta ao secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Haitham Al Ghais, direcionada também aos demais integrantes do mecanismo de coordenação que inclui outras nações produtoras. Na mensagem, ele apresenta um resumo das “ameaças ilegais” dos Estados Unidos contra o Estado venezuelano e denuncia que Washington “pretende se apoderar das vastas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do planeta, por meio do uso da força militar total”.
A vice-presidenta, Delcy Rodríguez, leu o comunicado durante a conferência ministerial da organização, realizada no domingo (30), detalhando que o movimento militar dos EUA no Caribe é formado por 14 navios de guerra e 15 mil militares.
Maduro explica que essas unidades têm realizado missões de voo e navegação muito próximas do território venezuelano “com o objetivo declarado de executar uma operação militar contra a Venezuela”. Além disso, informa que os Estados Unidos aplicaram “um conjunto de medidas coercitivas unilaterais, ilegais e arbitrárias”, cujo intuito é afetar a indústria petrolífera venezuelana para provocar “uma mudança inconstitucional de governo”. Entre essas medidas, destacam-se as tentativas de impedir pela força a livre circulação dos navios que transportam petróleo e seus derivados.
Com esta carta, Maduro denuncia expressamente aos principais países exportadores de petróleo a intenção do governo dos Estados Unidos de se apoderar “das vastas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do planeta”, por meio do uso da força militar total contra o território, o povo e as instituições da nação bolivariana.
Ele também adverte que tal situação “coloca em grave perigo a estabilidade e a segurança energética internacional”. Por essa razão, Maduro solicita os bons ofícios do secretário-geral Al Ghais e dos países que fazem parte do mecanismo OPEP+ para fazer com que o governo de Washington desista de suas intenções bélicas.

“Espero contar com seus melhores esforços para contribuir a deter a agressão que é gestada com cada vez mais força e ameaça seriamente os equilíbrios do mercado energético internacional, tanto para os países produtores como para os consumidores”, diz a carta.
Por fim, Maduro assegura que a Venezuela “não sucumbirá a nenhum tipo de chantagem ou ameaça”.
A OPEP é atualmente formada por 12 membros: Arábia Saudita, Argélia, Emirados Árabes Unidos, Gabão, Guiné Equatorial, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, República do Congo e Venezuela. Por sua vez, o mecanismo OPEP+ inclui, além desses, outros 10 países: Rússia, México, Cazaquistão, Azerbaijão, Barein, Brunei, Malásia, Omã, Sudão e Sudão do Sul, totalizando 22 países na aliança.
Assassinatos no Caribe
A Assembleia Nacional (AN) da Venezuela solicitou ao Ministério Público que abra uma investigação formal sobre os assassinatos cometidos por militares estadunidenses no Caribe, nos quais pescadores venezuelanos foram vítimas. Além disso, o Parlamento designará uma comissão especial de deputados para abordar o caso.
O presidente da AN, Jorge Rodríguez, explicou que os venezuelanos assassinados por ordens do secretário de Defesa estadunidense, Pete Hegseth, pertenciam à população de Güiria, no estado de Sucre, situado na costa oriental do país.
Ele assegurou que os familiares dos pescadores mortos receberam ameaças para não denunciar publicamente que as vítimas eram trabalhadores honestos que não tinham qualquer relação com o narcotráfico — justificativa utilizada por Washington para atirar contra embarcações em movimento em águas do Caribe.
A Assembleia Nacional buscará realizar uma reunião com o governo bolivariano e o governo de Sucre para estabelecer estratégias de apoio aos familiares dos assassinados.
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