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Mesmo após prisão, enfrentar bolsonarismo é tarefa crucial, aponta liderança do MST

Ainda segundo Ceres Hadich, membro da direção nacional do MST, é preciso observar “quais serão os desfechos, não só da condenação em si, mas dos fatos políticos que possam derivar dela”

“A centralidade da nossa força tem que passar pelo enfrentamento do bolsonarismo, que continua solto”, afirma Ceres Hadich, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Ela comentou, na manhã deste sábado (22), a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), detido preventivamente pela Polícia Federal.

“Claro que há um sentimento de alívio, por todos os crimes que ele cometeu enquanto presidente, pela postura durante a pandemia, por todas as causas pelas quais vem sendo acusado e mesmo condenado. Há uma relativa alegria, euforia, alívio. Isso faz parte da humanidade das pessoas: poder sentir isso por nós, pelos nossos, por saber que é mais do que uma prisão justa – é uma prisão necessária”, disse Hadich, ao ser questionada sobre como o movimento popular recebeu a notícia da detenção.

Apesar disso, a militante destaca que o momento exige cautela, já que a disputa de narrativas e os desdobramentos políticos ainda devem se intensificar nos próximos dias. Segundo ela, é preciso observar “com o que dialoga este momento da prisão e quais serão os desfechos, não só da condenação em si, mas dos fatos políticos que possam derivar dela”.

“Acho que cenas dos próximos capítulos ainda vão se abrir, mas, a princípio, temos acompanhado este momento com muita expectativa. Que este seja um passo importante para a condenação efetiva e o cumprimento da pena, o que também nos traz um sentimento de justiça”, afirmou.

A representante do MST também comentou a coincidência simbólica da data desta sexta-feira, 22, que remete ao número usado por Bolsonaro nas urnas nas últimas eleições presidenciais. “Coincidência ou não, hoje é um dia 22 que nunca mais será o mesmo depois dessa data marcante, com a prisão do ex-presidente”, disse.

“Novembro também traz uma simbologia importante, porque é um mês de lutas, de resistência popular. Do ponto de vista da nossa disputa e do embate com a extrema-direita, este momento não só deve ser celebrado, como intensificado, para que possamos seguir fazendo esse debate junto à sociedade brasileira.”

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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