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Cannabrava | A Cúpula do Alasca: Trump, Putin e o fim da guerra

A reunião realizada em 15 de agosto, no Alasca, ficará registrada como um marco histórico. Não apenas porque colocou frente a frente Donald Trump e Vladimir Putin, líderes de duas potências nucleares, mas porque representou a reabertura de um canal de diálogo que parecia impossível. Depois de anos de hostilidade e isolamento diplomático, a Rússia voltou a ser tratada como parceira legítima numa mesa de negociação.

A cena foi carregada de simbolismo. Anchorage, capital do estado estadunidense mais próximo da Rússia, separada apenas pelo Estreito de Bering, serviu de palco para a mensagem de que ambos os países precisam se enxergar como vizinhos — e não como inimigos permanentes. Sob o painel Pursuing Peace, Trump e Putin projetaram a imagem de estadistas que buscam, ao menos publicamente, uma saída para o impasse que devastou a Ucrânia e abalou a ordem mundial.

A vitória de Putin

Para Putin, o encontro foi uma vitória política em diversos planos. Ao ser recebido de igual para igual, quebrou-se o cerco diplomático que os Estados Unidos e a União Europeia tentaram impor desde 2022. Mais do que isso: a declaração de Trump, apoiando a ideia de que qualquer acordo de paz envolverá concessões territoriais por parte da Ucrânia, legitima a posição russa. Foi uma mudança radical de tom, que enfraquece o discurso europeu de que não se pode ceder “um centímetro” de território.

O cálculo de Trump

Trump, por sua vez, reforçou sua marca: a de líder pragmático, disposto a “acabar com as guerras”. O cálculo é eleitoral e econômico. Ao apresentar-se como o presidente que encerra o conflito mais custoso do século, Trump não apenas conquista o eleitorado cansado das aventuras externas, como também reorienta os recursos para dentro de casa. É também uma forma de reafirmar a centralidade dos Estados Unidos na resolução de qualquer crise internacional.

Zelensky pressionado

As palavras de Trump deixaram Zelensky numa posição delicada. O presidente ucraniano reafirmou publicamente que não aceitará perder território, mas terá de se encontrar com Trump no dia 18. O simples fato dessa reunião já é sinal de que Kiev depende cada vez mais da boa vontade de Washington para manter sua resistência. A União Europeia, fragmentada e sem capacidade de impor sua agenda, assiste à cena como coadjuvante.

Europa contrariada

A cúpula deixou claro o isolamento europeu. Havia expectativa de que Trump pressionasse Putin a fazer concessões. O oposto ocorreu: o Ocidente é que se vê pressionado a admitir que não pode sustentar indefinidamente um conflito de desgaste, que já consome recursos financeiros e políticos além do razoável. Mais uma vez, as nações europeias demonstram sua incapacidade de agir de forma autônoma, submetidas às decisões vindas de Washington.

Cannabrava | A guerra econômica de Trump

Um mundo que já não é o mesmo

Talvez o ponto mais importante da Cúpula do Alasca tenha sido o reconhecimento, por ambos os líderes, de que o mundo já não é o mesmo. O sistema internacional mudou. A hegemonia unilateral dos Estados Unidos está em crise, e novas forças se organizam. Nesse contexto, o papel do Brics ganha centralidade. A própria cúpula realizada no Rio de Janeiro semanas antes foi a prova disso: um bloco ampliado, disposto a propor alternativas concretas à ordem dominada pelo dólar e pela Otan.

Trump e Putin, cada um a seu modo, reconheceram que precisam lidar com esse novo tabuleiro. O Sul Global deixou de ser mero espectador e tornou-se ator com voz própria. Ao mesmo tempo em que Estados Unidos e Rússia negociam a paz, é o conjunto de países emergentes que pressiona por mudanças mais profundas — no comércio, na moeda, nas alianças estratégicas.

O Brics em ação

A atuação recente do Brics mostra que não se trata apenas de retórica. A criação do Banco de Desenvolvimento, que já financia obras de infraestrutura em países da África e da América Latina, é um passo concreto para reduzir a dependência do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). A discussão sobre uma moeda comum ou, ao menos, mecanismos de compensação em moedas locais, indica a busca por alternativas ao dólar.

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Além disso, a ampliação do bloco — que já conta com países do Oriente Médio, da África e da América Latina — fortalece a ideia de um eixo global capaz de equilibrar a força dos centros tradicionais de poder. A entrada de grandes produtores de energia, como Arábia Saudita e Irã, dá ao grupo um peso estratégico inédito, capaz de influenciar preços e rotas do petróleo e do gás.

O Brics também começa a se projetar como espaço de mediação política. Ao defender soluções negociadas para conflitos, em vez de intervenções militares, o grupo se apresenta como alternativa ao modus operandi da Otan. Isso ficou evidente no apoio à mediação de paz no Oriente Médio e, agora, com a possibilidade de ter papel ativo também no fim da guerra na Ucrânia.

O tabuleiro global

Esse encontro no Alasca não encerra de imediato a guerra, mas sinaliza que o fim está próximo. O conflito, que começou como disputa entre Rússia e Ucrânia, transformou-se rapidamente em confronto entre Estados Unidos, Otan e Rússia. Agora, é o próprio patrocinador maior da guerra — os Estados Unidos — que anuncia não querer mais sustentá-la. Isso muda tudo.

Cannabrava | EUA em decadência e a afirmação da multipolaridade liderada pelo Brics

A cúpula do Alasca é, portanto, mais do que um evento diplomático: é um ponto de inflexão no sistema internacional. Mostra que, para além da retórica, o destino de povos inteiros continua a ser decidido pelas potências. Mas também deixa claro que, neste novo cenário, as potências já não são as únicas a ditar regras. O Brics e o Sul Global se colocam em cena como protagonistas de uma ordem multipolar que começa a nascer — e que poderá ser a marca definitiva do século 21.

* Texto redigido com auxílio do ChatGPT.

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