A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, detalhou a posição do Kremlin sobre o fornecimento, pela Otan, de mísseis de longo alcance à Ucrânia
Na última quinta-feira (17), a Rússia reiterou que se reserva o direito de atacar “as instalações militares” dos países que fornecerem à Ucrânia mísseis de longo alcance que superem o atual limite de 180 km e possam alcançar alvos além da zona de combate, longe da fronteira, em território russo.
“A Rússia se considera no direito de usar seu armamento contra instalações militares dos países que permitirem o uso de suas armas de longo alcance contra a Rússia e, caso o conflito continue escalando, responderemos com firmeza e de forma simétrica”, reiterou à imprensa a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova.
A funcionária lembrou que “já em dezembro de 2024, o presidente Vladimir Putin expôs claramente a postura da Rússia em relação aos países do Ocidente caso autorizem o uso de seus mísseis de longo alcance para atacar o território russo”. E ressaltou: “Essa postura permanece inalterada”.
O coordenador da assistência militar de Berlim a Kiev, o general alemão Christian Freuding, informou, em 11 de julho, à emissora ZDF, que os primeiros mísseis de longo alcance fabricados pela Ucrânia e financiados pela Alemanha serão entregues aos militares ucranianos no final de julho.
Zakharova se adiantou alguns dias ao fato de que a indústria militar ucraniana concluiu a montagem do primeiro lote de mísseis Taurus alemães, com alcance máximo de 500 km — tecnologia que o chanceler federal, Friedrich Merz, autorizou disponibilizar ao governo de Volodymir Zelensky em maio passado.
“É impossível usar mísseis de longo alcance sem a participação direta de especialistas militares dos países que produzem esses sistemas. […] Na prática, os militares da Alemanha estarão diretamente implicados no planejamento e execução de operações militares contra nosso país caso seja usado o mencionado Taurus ou suas modificações com outros nomes”, assinalou a porta-voz.
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Zakharova acrescentou que, se os Taurus forem empregados contra a Rússia, por mais que a Alemanha negue que seus militares coordenaram esse lançamento, ainda que formalmente sejam apresentados como mísseis ucranianos, “não poderão esconder os rastros, já que, a partir dos primeiros mísseis abatidos pela defesa antiaérea russa, será conhecido de imediato onde e como foi fabricado tal armamento e, o mais importante, seu país de origem”.
E uma alusão ao que o chefe do Kremlin, Vladimir Putin, afirmou (em 19 de junho, em São Petersburgo), a representante concluiu que, se um míssil Taurus chegar a cair em território russo, “isso equivaleria a envolver diretamente a Alemanha em um conflito armado contra a Rússia” ou, dito de outra forma, poderia ser interpretado por Moscou como uma declaração de guerra por parte de Berlim.
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