Há aqueles que definem o sionismo como o estamento de judeus que lutam por ter um Estado próprio, independente e soberano. Nada mais distante da verdade. A maioria dos judeus – é verdade – desejou sempre um Estado próprio com essas características, mas isso não os converteu em sionistas. Muitas vezes os conduziu a outras opções, inclusive ao socialismo. Julius e Ethel Rosenberg, por exemplo, destacados judeus, foram processados e condenados à morte na cadeira elétrica nos anos 1950 por serem comunistas.
Hoje mesmo, em Israel, existe e atua, enfrentando desafios muito difíceis, o Partido Comunista desse país, que recentemente assinou um documento solidário com seu similar do Irã, condenando a guerra iniciada por Netanyahu no Oriente Médio. Os comunistas israelenses vivem nesse Estado e são majoritariamente judeus, mas não têm nada de sionistas.
Howard Fast, o destacado escritor estadunidense, autor do inesquecível Espártaco, alude em Silas Timberman a vários casos registrados nos Estados Unidos, nos anos da “Comissão MacCarthy”, de acadêmicos perseguidos por suas convicções políticas. Todos eles eram judeus, mas nenhum era sionista.
O sionismo, então, não é uma concepção natural. É uma grave deformação que inverte os valores e converte um setor de judeus em implacáveis inimigos de pessoas que consideram seus inimigos por pertencerem a “uma raça inferior”.
Os sionistas consideram que Israel é algo como o “povo eleito” e que está destinado a “salvar a humanidade”, convertendo-se na força condutora da espécie humana.
Na base dessa ideia reside uma concepção racista. Do mesmo modo como os nazistas consideravam, na Alemanha hitlerista, a “raça ariana” como um segmento “superior” e, portanto, com o direito de dominar o mundo e submeter os demais; assim os sionistas concebem a “raça judaica” como o degrau mais alto da espécie e a única, portanto, capaz de conduzi-la ao futuro.
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Dessa forma, tornam-se incapazes de compreender algo muito simples: a única raça que existe no planeta Terra é a raça humana. Não existe outra. Por isso, todos os seres humanos são iguais, independentemente da cor da pele, de seus traços físicos ou do tamanho de seu corpo.
Pretender encontrar “diferenças substanciais” entre negros e brancos, entre arianos e eslavos, entre nipônicos e chineses, carece completamente de sentido e é incompatível com a inteligência humana. Não há, então, homens “superiores”, assim como tampouco existem “inferiores”. A raça humana é uma só.
O que ocorre em nosso tempo é que os sionistas – com o apoio do governo imperialista dos Estados Unidos – se apoderaram da condução do Estado de Israel quando este foi criado em 1948, data em que a ONU, como uma forma de “reparar” os judeus vítimas do extermínio nazista, lhes reconheceu um território a ser compartilhado com os povos árabes.
No ideal da época, pensou-se na possibilidade de dar vida a dois Estados paralelos – um árabe e outro judeu – em um território compartilhado. A ilusão durou muito pouco. Os judeus expulsaram os árabes de seus territórios à força e depois tomaram outros. Iniciou-se assim uma guerra que dura até hoje.
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Em 7 de outubro de 2023, um destacamento palestino denominado “Hamas” efetuou um ataque a territórios ocupados por Israel, e que antes foram palestinos. Houve israelenses mortos e outros feitos reféns; mas o fato serviu para desencadear, contra as populações árabes, uma ofensiva de aniquilamento que já registra mais de 100 mil mortos.
Homens, mulheres e crianças, independentemente da atividade que realizavam e de suas ideias políticas – se as tinham – foram vítimas dessa política de extermínio. E ela chegou a extremos tão pérfidos que a Corte Penal Internacional, com sede em Roma, a considerou um genocídio e decidiu processar Benjamin Netanyahu e seu ministro da Defesa como “criminosos de guerra” por sua execução.
Consequente com essa iniciativa, a CPI emitiu ordem de captura internacional contra os dois acusados, disposição que não foi cumprida. O chefe sionista teve o descaramento de viajar aos Estados Unidos para se encontrar com Donald Trump, sem que ninguém o impedisse, demonstrando assim – nos fatos – que as ordens judiciais se acatam, mas não se cumprem.

O mundo tem assistido com horror ao desenvolvimento desta “guerra”, que nada mais tem sido do que uma guerra de extermínio. A cada dia, as agências internacionais de notícias falam de 50 ou mais mortos, embora não contem os desaparecidos. A cada dia também vemos edifícios demolidos, cidades devastadas, avenidas e moradias em escombros.
E a cada dia também, a administração de Tel Aviv tem se mostrado surda a todas as demandas por paz, aos apelos de clemência ou mesmo aos pedidos de “cessar-fogo”, ainda que temporário. Para o regime de Israel, passar um dia sem matar crianças palestinas constituiria uma mostra de “fraqueza” que não está disposto a tolerar.
Os povos se levantaram em todos os continentes rejeitando essa política assassina. As ruas de Londres, as avenidas de Nova York, os parques de Berlim, a Gran Vía de Madri, assim como as universidades dos Estados Unidos e as cidades da Itália, presenciaram múltiplas expressões de solidariedade com a causa palestina. Algo semelhante ocorreu na América Latina. Santiago, Buenos Aires, Montevidéu, Bogotá, Caracas e Havana o confirmaram.
Inclusive no Peru, ocorreram diversas mobilizações de repúdio a esta nova versão do holocausto, no qual as vítimas não foram os judeus, mas os árabes — as populações de Gaza e da Cisjordânia ocupada.
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Mas a camarilha sionista de Israel parece não estar disposta a ouvir nada. Para ela, a tarefa é continuar a guerra até que não reste um palestino vivo nas imediações. E sua principal preocupação é Gaza e a Cisjordânia, que mantêm sitiadas. Foi para tratar desse tema que Netanyahu viajou, no início de julho, para um novo encontro com Donald Trump na Casa Branca.
Para Tel Aviv, no entanto, a questão vai além. Agora, depois dos mísseis iranianos caírem sobre seu território, o medo lhe impôs novos desafios. Trata-se de prosseguir, então, a guerra em um nível mais alto, contra um país mais forte, capaz de desferir duros golpes à distância.
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Por ora, Israel tem acusado o Irã de fabricar armamento nuclear. Esse mesmo argumento foi usado há alguns anos para derrubar o regime do Iraque e assassinar Saddam Hussein. Hoje se levanta contra os aiatolás e, em seu nome, Tel Aviv já assassinou 14 cientistas nucleares que trabalhavam na antiga Pérsia. Aos olhos de Netanyahu e dos seus, trata-se de uma confrontação nuclear. Eles não se importam.
Será essa a única maneira de manter o poder nas mãos daqueles que hoje o detêm.
Em definitivo, sionismo e barbárie são sinônimos.

