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3,7 mil kg: Venezuela intercepta lancha com cocaína e desmonta plano dos EUA; entenda

O ministro de Relações Interiores, capitão Diosdado Cabello, informou que, na madrugada de segunda-feira (15), as forças policiais e militares da Venezuela capturaram e colocaram sob custódia uma embarcação tipo Go Fast carregada com 3.692 kg de cocaína. O líder afirmou que a lancha procedia da Guajira colombiana e que a bordo viajavam quatro indivíduos que levavam consigo cédulas de identidade venezuelanas.

Segundo Cabello, a Administração de Controle de Drogas dos Estados Unidos (DEA) tentou montar um falso positivo: as unidades militares estadunidenses no Caribe interceptariam o barco e fariam crer que a droga vinha da Venezuela e se dirigia aos Estados Unidos.

Cabello explicou que o dono da droga apreendida é um homem identificado como Levi Enrique López Batis, que, segundo o depoimento dos detidos na embarcação, “trabalha para a DEA” e está vinculado a Jercio Parra Machado, que opera na Guajira colombiana, e a um indivíduo denominado “aliás Cirilo”, que se encontra em Porto Rico. O barco se dirigia para lá, onde seria capturado pelos estadunidenses ali posicionados, segundo o plano.

No entanto, os mecanismos de inteligência bolivariana detectaram a operação e interceptaram a embarcação ainda em águas venezuelanas.

Manobra militar

A Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) iniciou nesta quarta-feira (17) a manobra militar Caribe Soberano 200 no Arquipélago La Orchila, a 160 km ao norte da capital Caracas.

Desde a Ilha La Orchila, espaço de jurisdição militar pertencente ao Território Insular Miranda, o general-chefe Vladimir Padrino López, ministro da Defesa, explicou que os exercícios Caribe Soberano 200 constituem uma campanha conjunta com todos os componentes da Força Armada Nacional Bolivariana da Venezuela (FANB), por meio terrestre, marítimo e aéreo.

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“La Orchila é um espaço que sempre serviu para exercícios aeronavais de todo tipo, e nesta oportunidade vamos realizar um exercício bastante completo que envolve a Força Tarefa Caribe e os grupos de tarefa conjuntos: aeroespacial, forças especiais, inteligência e guerra eletrônica, marítima e, por último, terrestre”, detalhou.

A mobilização, que se estenderá por três dias, inclui também a participação do povo, pois as manobras contemplam patrulhas conjuntas com pescadores venezuelanos, disse Padrino López.

O movimento demonstra o músculo de artilharia com que a Venezuela conta. Os exercícios contemplam a ativação de equipamentos como drones de vigilância armados, tanto submarinos quanto aéreos; sistemas antiaéreos Buk e sistemas de artilharia ZU; além de “um importante deslocamento de navios da Armada Bolivariana para execução de tiro costeiro, desembarque anfíbio e tomada de cabeças de praia”, declarou o representante.

A manobra ocorre em um momento em que os Estados Unidos intensificaram suas ações no Caribe. Segundo Donald Trump, os Estados Unidos teriam realizado mais dois ataques a lanchas com supostos narcotraficantes em menos de 24 horas. Nesse sentido, a ação chavista demonstra a capacidade de reação e de domínio sobre o território que a Venezuela possui. Inclusive, Padrino afirmou que a operação foi ordenada pelo presidente Nicolás Maduro como “resposta às ameaças dos últimos dias”.

Nicolás Maduro: Seguimos abertos ao diálogo

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta segunda-feira (15), durante uma coletiva de imprensa, que o que ocorre entre seu país e os Estados Unidos “não é uma tensão, é uma agressão generalizada: é uma agressão judicial quando nos criminalizam, é uma agressão política com suas declarações ameaçadoras diárias, é uma agressão diplomática e é uma agressão em curso de caráter militar”.

O líder chavista reiterou que os navios de guerra dos Estados Unidos estão “apontando 1.200 mísseis contra a Venezuela”, e que “todo mundo, nos Estados Unidos, na América Latina e no Caribe, sabe que a operação militar dos Estados Unidos no Caribe é para realizar uma mudança de regime na Venezuela”. Acrescentou que o plano é torcer o braço da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP+) e se apoderar das maiores reservas de petróleo do mundo.

Maduro revelou que “as comunicações com os Estados Unidos foram rompidas por eles, por suas ameaças de bombas, mortes, chantagens”. “Nós não funcionamos assim — com ameaças e chantagens, nunca haverá nada, e eles sabem disso; passamos de uma etapa de comunicações precárias para comunicações rompidas”, elucidou.

No entanto, segundo o presidente venezuelano, os canais de comunicação não estão “fechados”. Mantém-se um fio de comunicação “mínimo” com John McNamara, embaixador dos EUA na Colômbia e designado para tratar de assuntos sobre a Venezuela. Esse canal funciona basicamente para manter o plano de repatriação de migrantes deportados dos Estados Unidos. “Isso é uma prioridade para nós”, afirmou.

Durante sua coletiva, Maduro também falou sobre o incidente ocorrido na noite da última sexta-feira (12), em águas da zona econômica exclusiva da Venezuela, quando um barco pesqueiro foi interceptado e abordado por 18 fuzileiros navais que desceram do destróier Jason Dunham, parte da frota mantida por Washington no sul do Caribe.

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“É uma vergonha para a comunidade internacional e para a honra militar das Forças Armadas dos Estados Unidos. É totalmente ilógico, extravagante, absurdo mandar um navio destróier com 380 profissionais de alto nível para assaltar um barco de pescadores de atum… O que estavam procurando? Quem deu a ordem?”, expressou.

O presidente respondeu às declarações feitas por seu homólogo estadunidense, Donald Trump, de que a Venezuela envia drogas e criminosos ao país do norte. Maduro reiterou ser uma “mentira” tanto essa afirmação quanto a alegação de que a intenção de Washington com seu movimento no Caribe é combater o narcotráfico.

“Se o senhor diz que a Venezuela envia esse veneno para lá, é mentira! A Venezuela não produz nem um hectare de folha de coca, aqui não há laboratórios de produção, e quando os encontramos, nós os destruímos”, assegurou.

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O governo bolivariano rejeitou o relatório do Departamento de Estado que inclui a Venezuela numa lista de “principais países de trânsito e produção de drogas”.

Caracas afirmou que Washington faz “uma imaginária e ilegítima autodesignação como juiz e polícia do mundo”. Declarou que todas as afirmações do referido relatório carecem de fundamento e contradizem os dados oficiais de organismos internacionais especializados.

O relatório do Departamento de Estado afirma que Maduro “lidera uma das maiores redes de tráfico de cocaína do mundo” e que Washington continuará buscando levá-lo à justiça, além de atacar “organizações terroristas estrangeiras venezuelanas como o Tren de Aragua”.

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O ex-presidente Donald Trump afirmou, por meio de sua rede Truth Social, que forças militares dos EUA no Caribe destruíram uma segunda lancha supostamente carregada com drogas, que teria saído da Venezuela com destino aos Estados Unidos. Na ação, teriam matado três “terroristas do sexo masculino”. Na terça-feira (16), Trump disse a jornalistas que os incidentes desse tipo não foram dois (em 2 e 15 de setembro), mas três, embora não tenha dado mais detalhes.

Rejeição às ameaças

Maduro participou na noite de terça-feira (16) da instalação do Conselho Nacional pela Soberania e a Paz, espaço convocado pela Assembleia Nacional e que reuniu representantes de todos os setores da vida pública para expressar, por meio de um manifesto, o desejo de paz e a rejeição às ameaças dos Estados Unidos.

Estiveram presentes empresários, sindicatos, partidos chavistas e opositores, governo, comunidade científica, intelectuais e artistas, militares e policiais, governadores, prefeitos, igrejas e cultos religiosos, esportistas, juventude e comunas, entre outros.

Maduro: É uma vergonha para os EUA usar destroier com 380 militares para assaltar um barco de pescadores de atum (Foto: Reprodução / Facebook – Nicolás Maduro)

Durante sua fala, Maduro afirmou que se formou, na Venezuela, o maior consenso que poderia haver hoje no país diante da agressão estadunidense.

“Todas as pesquisas mostram que entre 93% e 95% dos venezuelanos rejeitam e repudiam as ameaças militares do governo dos Estados Unidos contra a Venezuela”, assegurou.

Reiterou que há uma ameaça de guerra no Caribe contra a Venezuela e que a atual conjuntura nacional tem origem em “uma tentativa imperial dos Estados Unidos de se apoderar” das riquezas venezuelanas.

Por fim, sentenciou que o caminho para conter, neutralizar e derrotar plenamente essa ameaça é a união de todos os setores da Venezuela, acima de qualquer diferença.

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